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domingo, 30 de abril de 2017

GÊNERO TEXTUAL: RESENHA



Você sabe o que é uma resenha? Se a sua resposta é não, é hora de aprender um dos gêneros textuais mais cobrados ao longo de nossa vida escolar. Saber escrever uma resenha de qualidade é indispensável: na vida acadêmica, por exemplo, você será constantemente convidado por seus professores a emitir opinião sobre vários assuntos, portanto, não vale chegar à universidade sem saber como escrever um texto desse gênero. O Mundo Educação vai mostrar para você o passo a passo da produção textual. Vamos lá?
A resenha é um gênero textual sucinto, cuja principal característica é tecer, de maneira breve, uma crítica sobre determinado assunto. A resenha ideal é composta não apenas pela crítica direta, mas também por momentos de descrição, e esses dois elementos devem estar em perfeito equilíbrio em seu texto. Por ser uma síntese, muitas pessoas acabam caindo na armadilha da superficialidade, utilizando expressões como “eu gostei” ou “eu não gostei”, esquecendo-se de que é preciso também argumentar para justificar as críticas positivas ou negativas que constarem na resenha. Tudo isso deve ser feito através do emprego de um vocabulário simples, porém preciso, prezando a concisão e impessoalidade. Além disso, observe alguns pontos que não devem faltar no seu texto:
  • Imparcialidade: Ser imparcial significa deixar as emoções de lado e escrever sem tomar partido, isto é, sem deixar que motivos pessoais contaminem a escrita. Assim como um bom juiz, você deve ponderar, apresentando aspectos positivos e negativos sobre o tema resenhado. Se a resenha tiver como assunto uma obra literária, não permita que motivos externos à obra, como a falta de simpatia pelo escritor ou pela editora, transpareçam em sua opinião. Isso, definitivamente, não é conveniente, certo?;
  • Cientificidade: Por ser um trabalho de cunho acadêmico, a resenha deve ter cunho científico, ou seja, ela deve ser racional (prezar a objetividade e impessoalidade), sistemática (apresentar um sistema de ideias ordenadas de maneira lógica) e verificável (afirmações que podem ser comprovadas através da observação);
  • Objetividade: Na resenha deve constar aquilo que for estritamente essencial, respeitando a característica principal do gênero, que é a brevidade. Detalhes e subjetividades não são elementos bem-vindos, pois o leitor que busca uma resenha busca também uma análise sintética sobre o assunto.
Agora que você já conhece as principais características da resenha, acompanhe como deve ser a preparação para o início da produção textual:
  1. Se o professor solicitar uma resenha sobre um filme, livro, palestra ou outros assuntos, é essencial que você conheça o tema a ser resenhado antes de começar a escrever. Parece uma informação óbvia, mas acredite: muitas pessoas arriscam-se a omitir opiniões sobre aquilo que elas desconhecem. Muitas pessoas aproveitam-se do fato de ser a resenha um gênero sintético para “trapacear”, confundindo objetividade com superficialidade. Não é muito honesto tecer críticas sobre um livro que você não leu, não é verdade?;
  2. A primeira leitura, seja ela de um filme ou de um livro, deve ser feita de maneira a conhecer a obra como um todo. Esse primeiro contato é fundamental para que seja quebrado o estranhamento, o que é muito comum quando somos introduzidos a um determinado assunto;
  3. Feito o primeiro contato, quebrado o estranhamento, é hora de reler ou rever. A segunda leitura é fundamental para captar detalhes que passaram despercebidos. É desejável que você sublinhe ou que faça esquemas que contemplem as ideias principais do objeto a ser resenhado, estabelecendo relações entre elas;
  4. Antes de começar a escrever sua resenha, reserve um tempinho para pensar sobre o assunto, sem imediatismos. Esse intervalo entre conhecer/analisar o objeto e começar a escrever é essencial para que você possa emitir opiniões mais apropriadas e, se possível, busque outras fontes que possam lhe ajudar a embasar seus argumentos.
Aparentemente, escrever uma resenha é um exercício fácil, mas ser objetivo sem parecer superficial pode ser um verdadeiro desafio. Não subestime o gênero — que geralmente é utilizado como um guia para iniciantes em determinados assuntos — e lembre-se de que esse tipo de texto é muito importante e extremamente útil para aqueles que buscam informações eficientes e bem elaboradas sobre determinado conteúdo. Bons estudos e bom trabalho!










quinta-feira, 27 de abril de 2017

ESTANTE DE PAPELÃO (DIY)

Olá pessoal!

Que tal fazer uma linda estante de papelão para o cantinho da leitura ou mesmo para organizar materiais na sala de aula?
Encontrei esta ideia AQUI
Passa lá para conferir o PAP.



Gostaram da dica de hoje? Eu amei!

Um abração e até mais!
=) 

domingo, 9 de abril de 2017

JORGE FERNANDES , POETA POTIGUAR



Jorge Fernandes (1887-1953) nasceu em Natal-RN. Com seu “LIVRO DE POEMAS”, de versos modernos, editado em 1927, é considerado um dos precursores da poesia moderna do Rio Grande do Norte. A poesia de Jorge Fernandes transita entre a tradição e o moderno. Por que ocorre tal fato? Natal, na década de 20, ainda era uma província que estava em processo de modernização. Viviam, no estado do RN, o passado consolidado por séculos e a constante inovação “presente” que vinha da civilização moderna (que já estava bem “avançada” no sudeste do país, onde ocorreram as primeiras manifestações artísticas modernas no Brasil em 1922). Assim, percebe-se uma transição contínua do velho para novo e, nessa transição, encontra-se o material e a essência da poesia do poeta natalense Jorge Fernandes.
Para se ter clareza da Natal provinciana do século XX, é de relevante importância conhecer o livro Geração dos Maus, publicado em 1964, do escritor natalense José Humberto Dutra. Esse livro nos mostra um quadro dessa cidade em processo de urbanização que, em 1927, ainda era mais “atrasada” do que na época da publicação do livro de Dutra.
Estamos em um terreno cheio de significados e carregado de sentido – provindo de uma história consolidada pela tradição, que ainda é bem presente e forte na pequena província natalense. Não é à toa que a poesia de Jorge Fernandes é moderna. O próprio terreno em que se insere permite a construção de uma poesia moderna – a urbanização, o primitivismo, o cotidiano, etc. Encontramos trabalhadores com arado, “mãos nordestinas”, “pescadores” e uma infinidade de figuras típicas do sertão, da vida do homem sertanejo, a própria vida do homem sertanejo é carregada de significados e histórias – cada coisa, cada atividade, cada objeto. Este trabalho tem, portanto, como objetivo, analisar a polissemia na poesia de Jorge Fernandes.
O poeta natalense, “pintor de quadros do cotidiano”, representa a realidade com imagens fortes e carregadas de sentido. A palavra, a imagem, a idéia e a forma unem-se ao sentido de sua poesia. Algumas palavras colocadas na poesia de Jorge Fernandes apresentam diversos significados que dialogam, todos eles, com o significado “final” do poema. Não diria que há apenas uma ambigüidade em sua poesia, mas, sim, uma polissemia de sentidos. A ambigüidade, na maioria das vezes, confunde o leitor e não permite uma via direta dos seus possíveis sentidos com o poema. Já na polissemia, todos os significados possíveis das palavras polivalentes possuem uma via direta com o sentido do poema. E o nosso poeta natalense, Jorge Fernandes, soube muito bem qual palavra escolher e onde colocá-la no poema para obter essa polissemia.
É preciso esclarecer que a polissemia é a pluralidade de sentidos que a palavra pode possuir dentro ou fora de um contexto. Há de se encontrar, em toda poesia, a polissemia. Em Jorge Fernandes, a presença dessa figura de linguagem é, dentre as demais, de extrema importância para o significado do poema. O poeta tem consciência desse recurso e o utiliza como estratégia para a construção do seu poema. Vejamos, agora, na íntegra, o poema que escolhi para fazer a análise deste trabalho:
Pescadores 
  1. Chegou do mar!
  2. Quanta arrogância no pescador…
  3. O mar fê-lo forte, resoluto.
  4. Tem ímpetos de ondas o seu olhar…
  5. Olhem o calão do peixe que ele trouxe!!?…
  6. São peixes monstros que ele pescou…
  7. Quando há tormenta e a jangada vira
  8. O homem forte matou a fome
  9. Do irmão do mero que ele comeu…
FERNANDES, Jorge. Livro de poemas de Jorge Fernandes. 4.ed. Natal: EDUFRN, 2007. p. 37.
Nesse poema, o poeta descreve uma cena – não se referindo ao seu “eu lírico”. Há um afastamento do poeta em relação a esse poema no sentido de se deslocar para o outro, para o fato corriqueiro, para a cena em si.
Temos uma cena inicial: O pescador chega do mar e expressa arrogância. O mar o transforma, deixa o pescador forte, mais experiente, “resoluto”.  Tem, nos seus olhos, “ímpetos de ondas”. No quinto verso “Olhem o calão do peixe que ele pescou…”, temos, como polissêmica, a palavra calão. Fora do poema, temos cinco significados para essa palavra. Dentro do poema, quais sentidos ela podem ter?
Primeiro, vamos ao primeiro significado da palavra, que é: embarcação comprida e larga. Ser formos ao poema, percebemos que a palavra calão não nos permite fazer essa relação, pois a “embarcação do peixe” seria inviável.
No segundo significado, temos: telha grande, usada para revestir o fundo de regos de água.  Vemos também que, relacionado com o poema, esse significado também não é viável nem possível.
No terceiro significado, temos: pedaço de pau roliço, nas extremidades do qual se suspendem os objetos que se devem transportar ao ombro. Aqui já vemos uma ligação semântica com o poema. Calão, nesse sentido, foi o meio pelo o qual o pescador usou para transportar os peixes que ele pescou no mar.
No quarto significado, vê-se: vara curta que se amarra de cada lado da rede de pesca. Aqui também há relação com o poema, assim como a do significado anterior, sem muita distância semântica significativa.
No quinto e último significado, temos: rede de pesca com três lados retos e um curvo, e munida de pesos. Há aqui, diferente dos dois últimos significados, apenas uma diferença do material utilizado para transportar os peixes, frutos da pesca.
O que podemos depreender desses significados? Existe alguma relação com a tradição do poeta ou com o significado da poesia “Pescadores”? Comparada com as múltiplas possibilidades do mundo moderno, das múltiplas funções das coisas, essa palavra calão, dentro do poema, não seria o reflexo dessa realidade nova e dinâmica? Ao mesmo tempo em que a palavra significa pequena embarcação, algo mais novo e elaborado, ela pode ser entendida, concomitantemente, como “pedaço de pau roliço”, “rede de pesca”, “vara curta”, enfim, materiais arcaicos que auxiliam o trabalho do pescador. Observa-se, nessa multiplicidade de sentidos, o diálogo entre o novo e o velho (os elementos presentes na cidade do Natal provinciana e os presentes no mundo moderno) e entre o possível e o impossível (o encaixe ou não do significado dentro do eixo léxico-semântico do poema), algo que pode ser interpretado a partir do poema, desde que saibamos que a urbanização, naquela Natal de 1927, estava em processo, não consolidada, algo que é ainda perceptível ainda em 1964, como citei acima a obra Geração dos Maus, de José Humberto Dutra – para mostrar ao leitor esse processo.   Sabemos que, para interpretar um poema como todo, é preciso fazer uma análise geral do poema e das suas possíveis relações com o mundo e o contexto em que a obra está inserida. A interpretação deve partir do poema para que assim, o crítico, faça uma análise possível/verossímil do poema em questão.
Calão, eu não coloquei na ordem acima, também é conhecido, na gíria brasileira, como termo “baixo e grosseiro”. Essa possibilidade pode ressaltar a qualidade do peixe que ele pescou, sendo de “baixo calão”, abrindo, assim, portas para diversos significados.
Em seguida, no sexto verso, o poeta continua com a descrição da cena, dizendo que o pescador pescou “peixes monstros”. Nos três últimos versos, encandeados, a cena é dirigida para uma possibilidade: “Quando há tormenta e a jangada vira”, e continua “O homem forte matou a fome/ Do irmão do mero que ele comeu”. A palavra mero é polissêmica.
Essa palavra pode ser um substantivo (peixe teleósteo) ou um adjetivo (sem mistura, simples). Antes de continuar a análise, precisamos saber o que é o mero.  O mero é um peixe grande, em extinção, que pode chegar a ter até 2,7 m de altura, é carnívoro e come, basicamente, lagostas, caranguejos e peixes. No poema “Pescadores”, o mero é o peixe que o pescador comeu e, quando a sua jangada vira (o homem forte, nós temos aqui um contraste com a modernidade, depende do objeto, da jangada, porque, apesar de ser forte, não é suficiente para mantê-lo vivo no mar), o irmão do mero que ele comeu mata a sua fome comendo o pescador e, como se vê na cena, vingado, enfim, a morte do seu ente. Observa-se, outro elemento que realça a modernidade, a animalização do homem (aquele que é calculista e frio) e a humanização do animal (aquele que sente e reflete). Nesse sentido, a palavra mero adquire tais significados.
No outro significado, o peixe mero torna-se o adjetivo mero – a coisa se torna qualidade. Tornar as coisas qualidades, ou seja, obter valor pelo que se tem, pelo que se possui, não seria outra característica do mundo materialista e moderno? Então, reforçando a idéia de homem animalesco, que também foi interpretado no primeiro sentido, o peixe que ele comeu era apenas um mero peixe, sem valor, útil no sentido de satisfazer a fome do homem.
A polissemia, na poesia de Jorge Fernandes, é um dos elementos, como nós vimos, enriquecedores da poesia do RN, das capacidades poéticas do nosso poeta mais ilustre, consciente de que cada coisa, no mundo “antigo” assim como no “moderno”, possuí mil significados quando dialogam dentro do poema por meio do uso da palavra.

FONTE:




JORGE FERNANDES, O POTIGUAR PRECURSOR DO MODERNISMO



O início do século XX caracterizou-se pela tentativa de renovação de valores artísticos e culturais e foi marcado, no continente europeu, por violenta crise que desencadeou duas grandes guerras e profundas transformações na vida política, econômica e social mundial. Essas mudanças afetaram a arte ao ponto de surgirem, vários ismos que significam os movimentos artísticos das vanguardas. Em Natal, sabe-se a respeito da euforia de um grupo de intelectuais que conhecia os novos preceitos poéticos, no entanto há apenas uma única produção literária inovadora, a de Jorge Fernandes", afirma a pesquisadora e escritora, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, das disciplinas Teoria da Literatura e Semiótica, Maria Lúcia de Amorim Garcia que foi a responsável pela introdução e organização da 5. Edição revisada do "Livro de Poemas de Jorge Fernandes" que será lançado hoje, na Praça Cívica do Campus Universitário durante a CIENTEC/2008, no estande da Pró-Reitoria de Extensão . Segundo a professora Maria Lúcia, "o reitor pediu que eu organizasse essa obra, porque as duas anteriores, estava com muito erros. Sem contar, a necessidade e a importância, por ser um tema que nos últimos anos aparece com assiduidade como questão de vestibular. Fiz com muito carinho esse trabalho porque admiro Jorge Fernandes pela sua obra extraordinária". Na época da revolução cultural modernista, nos meados de década de 20, a cidade de Natal ainda se encontrava numa espécie de transição da vida provinciana para a moderna. A vida cotidiana brindada pela regionalidade e seus costumes e começava a ter que se habituar com os elementos modernos que se faziam cada vez mais presentes no dia-dia dos potiguares, como: o avião, o automóvel, a luz elétrica, entre outros. Com todas essas novidades os intelectuais da época, como Câmara Cascudo, mantiveram a sociedade informada sobre as transformações culturais ocorridas no país, e o potiguar Jorge Fernandes, cuja poesia conseguiu sintetizar os aspectos mais significativos de toda uma tradição. Ele é considerado um dos precursores da poesia moderna no Brasil. Proprietário do Café Magestic, naquela época era o ponto de encontro de populares e ilustre de Natal, esse poeta viveu todo o período de deflagração e desenvolvimento do Modernismo no estado. Contribuiu em jornais e revistas da época e produziu obras para o teatro. Em 1927, editou sua primeira obra, o "Livro de Poemas". O autor rompeu com as formas antigas de poetar, iniciando o verso livre, sem rima, cantando as coisas mais prosaicas possíveis, o que causou escândalo na província conservadora. A obra de Jorge Fernandes é considerada referência para o período e fizeram com que a obra tivesse repercussões fora da região Nordeste". Em 1964, Veríssimo de Melo publicava o estudo "Dois poetas do Nordeste", da Coleção "Aspectos", do Ministério da Educação e Cultura, abordando o trabalho de Jorge Fernandes e Ascenço Ferreira. Veríssimo de Melo disse "Jorge Fernandes foi o mais autêntico inovador da poesia norte-rio-grandense. Foi o poeta que sentiu e soube interpretar o cheiro da terra, o sabor das frutas, o perfume das madrugadas no sertão, as cores das árvores, o movimento dos bichos, os sons dos sinos velhos das igrejas, dos chocalhos, o canto dos pássaros, a beleza dos crepúsculos, a quentura do sol gostoso de verão da terra papa jerimum". Manuel Bandeira ficou entusiasmado com a poesia de Jorge Fernandes a ponta de dizer o seguinte: "Jorge Fernandes falou em muitos dos seus poemas com um timbre que é só dele: falou das coisas do Brasil com o sabor que é só dele; aquele seu livro deve estar na biblioteca de todos os brasileiros". Outro admirador do poeta potiguar foi Mário de Andrade que fez o seguinte comentário: "O admirável "livro de Poemas" que publicou no ano passado (1927) é isto: uma memória guardada nos músculos, nos ervos, nos estômagos, nos olhos, das coisas que viveu. O livro pode ser um bocado irregular pelos tiques de poética antiga, ainda mais humanamente brasileiras da poesia contemporânea".


(Artigo transcrito do Jornal de Hoje, 24.10.2008


quinta-feira, 6 de abril de 2017

18 DE ABRIL: DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL



Em 18 de abril comemora-se o dia do nascimento de Monteiro Lobato, um dos maiores escritores da literatura infanto-juvenil brasileira, motivo pelo qual a data tornou-se o Dia Nacional do Livro Infantil.
Dentre seus livros, recebeu destaque a história do Jeca Tatu, um homem do campo, com uma vida muito simples, preguiçoso, onde o autor relembrou os tempos em que vivera num sítio.
Com essas histórias trabalhou em prol da defesa do meio ambiente, da reforma agrária, fez campanhas pela melhoria da saúde e falou sobre o petróleo, assuntos que até hoje fazem parte de nossas vidas.
Mas o grande sucesso de Monteiro Lobato foi a coleção O Sítio do Picapau Amarelo, após a invenção da Menina do Nariz Arrebitado – Narizinho. As histórias se passavam no sítio de Dona Benta, avó de Narizinho e Pedrinho, onde outros personagens davam graça às histórias, como: Tia Nastácia – que fazia deliciosos bolinhos de chuva; Tio Barnabé – o velho contador de causos; a dupla engraçada de trabalhadores rurais: Zé Carneiro e Pedro Malazarte; e os tão famosos personagens Emília, a boneca de pano, teimosa e engraçada; Visconde de Sabugosa, o sabugo de milho que vira gente, dono de uma apreciável inteligência.

As histórias acontecem no Sítio de Dona Benta, envolvendo outros personagens, levando lições de moral para as crianças. O Saci-Pererê e a Cuca eram os personagens perversos, que assustavam as pessoas.
Monteiro lobato trabalhou, no Sítio do Picapau Amarelo, assuntos que puderam aumentar a cultura das crianças e jovens. A mitologia grega, a história das invenções, a geografia, a gramática e a matemática tiveram grande repercussão, sendo abordados até os dias de hoje nas escolas.
Os dois destaques para o mundo rural foram criados porque Lobato considerava que os autores da época eram estritamente urbanos, e não valorizavam a simplicidade da vida do homem do campo, dos passeios em fazendas, da importância da natureza para a vida do homem, nunca escrevendo sobre os mesmos.
O caricaturista Voltolino, por volta de 1910, da mesma época de Monteiro Lobato, aproveitou seus traços fortes e ar sério para criar charges do mesmo. Eram amigos e parceiros de trabalho, pois Voltolino era quem fazia as ilustrações das histórias de Lobato.
O autor formou-se em direito e jornalismo, onde escrevia artigos para revistas e jornais da época.
Em 1904, após ganhar um concurso literário, Lobato retratou seus sentimentos em relação à literatura, pela qual era apaixonado: “Tentei arrancar de mim o carnegão da literatura. Impossível. Só consegui uma coisa: adiar para depois dos trinta o meu aparecimento. Literatura é cachaça. Vicia. A gente começa com um cálice e acaba pau d’água na cadeia”.                       
              



quinta-feira, 24 de março de 2016

A LITERATURA DE CORDEL NA SALA DE AULA




1 Qual é a melhor maneira de ler a poesia de cordel para os alunos em sala de sala?

O ideal é que você prepare a leitura com antecedência para dar o devido destaque ao ritmo e à musicalidade proporcionados pelas rimas. Treine a entonação, lembrando-se sempre de que é recitando de modo expressivo que os cordelistas atraem compradores para os seus folhetos. O professor deve atuar como modelo de leitor, questionando as intenções do autor ao escolher determinadas expressões e ajudando na construção do sentido (leia a sequência didática). Informe-se sobre a história e a estrutura poética. Se contar com os recursos necessários, reproduza gravações de cordel em sala de aula. Assim, os alunos terão referências da relação entre o texto e a oralidade típica do gênero.

2 E os estudantes, como devem fazer a leitura?

Ler em voz alta é bom, já que o cordel está fundamentado na oralidade. "Pedir que os alunos levem cordéis para casa e leiam para seus pais é uma boa maneira de aproximá-los do gênero", diz Hélder Pinheiro, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

3 Depois de ler, o que discutir com as crianças?

Regionalismos, metáforas e palavras que fogem da grafia-padrão, por exemplo.Fatos históricos e aspectos culturais referentes à narrativa também devem ser abordados. Se você intercalar a leitura de cordéis com a de outros gêneros literários, discuta as diferenças entre eles.




4 De que forma explicar palavras fora do padrão?

Os desvios ortográficos típicos do cordel têm origem na estreita relação do gênero com a linguagem oral. Explique que, nesse contexto, eles não são considerados erros, mas traços da fala coloquial e da cultura popular que refletem o ambiente no qual o cordel foi criado.

5 Como abordar regionalismos e metáforas?

Esses elementos refletem o diálogo do sertanejo com suas crenças e seus dilemas cotidianos. É fundamental, portanto, que você estude os cordéis que serão lidos para ajudar seus alunos a compreendê-los. Preparar um glossário de termos regionais pode ajudar bastante.




6 Quais devem ser os critérios na hora de selecionar os textos que serão lidos?

Algumas poesias de cordel têm linguagem chula ou pornográfica. Outros narram histórias violentas. "Na hora de escolher as que serão lidas em sala de aula, é preciso descartar aquelas que apresentem temática inapropriada", diz a professora Ana Cristina Adão, que trabalha a leitura de cordéis com uma turma de 4º ano na CEIEF Aracy Nogueira Guimarães em Limeira, a 150 quilômetros de São Paulo (leia o quadro acima). Ana sugere que, levando em conta a experiência das crianças, sejam selecionados textos que tratem, por exemplo, de lendas, festas regionais, acontecimentos históricos ou simplesmente fatos cotidianos.

7 Dá para trabalhar o cordel no início da alfabetização?

Sim. "A métrica e a rima despertam a curiosidade das crianças", afirma Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, mestre em Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Apresentá-las ao gênero por meio de cordéis mais curtos, como os escritos em quadras (estrofes de quatro versos) ou sextilhas (de seis), é a melhor estratégia. Não fragmente o cordel. Durante o processo de alfabetização, é importante que os pequenos compreendam o texto em sua integralidade.





FONTE: 









quinta-feira, 17 de março de 2016

POR QUE É IMPORTANTE LER PARA UMA CRIANÇA ?

 




Você tem o costume de ler para o seu filho? Uma nova pesquisa da Reading is Fundamental (RIF), empresa ligada à loja de departamentos norte-americana Macy's, revelou que histórias de 'era uma vez' estão ficando cada vez mais abandonadas em um reino tão tão distante. O levantamento feito com mil pais procurava levantar os hábitos de leitura em casa. Apenas 33% deles afirmaram ler histórias para os filhos antes de dormir. Já para 50%, as crianças preferem mesmo é gastar este tempo com TV, tablet e videogame.
Vale reforçar que mergulhar em histórias, sejam elas de ficção ou não, é parte importante do desenvolvimento infantil e pode trazer uma série de benefícios. Lucas tem apenas 2 anos de idade e já é a prova de como a leitura faz bem. Recentemente o menino – que houve histórias desde seus 6 meses - surpreendeu toda a família quando, em uma visita ao zoológico, reconheceu a girafa, a abelha e até um tucano. “Ele já tinha visto esses animais antes, nos livros”, conta orgulhosa a mãe Jussara Ribeiro, 37, que é professora de educação infantil e sabe bem a importância da leitura: “Percebo que as crianças se tornam mais criativas, desenvolvem escrita, conseguem ter muitas ideias. O Lucas, por exemplo, nem sabe escrever ainda, mas é bastante curioso e se expressa muito bem”, observa.






Estimular a imaginação, aguçar a curiosidade e ajudar no desenvolvimento da linguagem, tanto escrita quanto oral, são atributos pra lá de especiais, mas não acaba por aí.

A psicóloga Frinéa Brandão, coordenadora do Grupo Neurofocus Psicoterapias (RJ), explica que as histórias também minimizam aspectos da solidão, já que ampliam várias conexões cerebrais que despertam hormônios do prazer e do relaxamento, quase como uma meditação. "Se você olhar para os olhos de uma criança quando está contanto histórias, vai perceber que eles são ora de admiração, ora de medo e excitação. Isso acontece porque elas estão também aprendendo realidades internas emocionais." Em uma história bem contada de monstro, de princesa ou de herói, por exemplo, as crianças estão aprendendo a olhar para a própria realidade e a conhecer um pouco mais de si mesmas.



  E é tão forte o poder de autoconhecimento e transformação de uma história que a Casa do Contador de História, em Curitiba (PR), recorre às narrativas para ajudar crianças que estão passando por problemas físicos e emocionais. Depois de uma conversa prévia com o “paciente”, os contadores montam o chamado cardápio da alma, que contém situações que remetem ao momento em que está vivendo. “Por meio do personagem e de todos os caminhos, provas e processos da narrativa, a criança revê sua situação. Ela se distancia, se projeta no personagem e consegue buscar alternativas dentro dela mesma”, conta Martha Teixeira da Cunha, uma das fundadoras do projeto sem fins lucrativos.
A melhor escolha

Pare e pense: você está o tempo todo contanto histórias para o seu filho, desde a hora da papinha, explicando sobre a importância dos legumes que estão lá, até quando o coelho da Páscoa e o Papai Noel animam as festas. Frinéa explica que nunca é cedo demais para começar a instigar a imaginação da criança. “Mesmo antes de o bebê balbuciar, os pais já podem começar a contar pequenas histórias, desde que respeitem a capacidade de entendimento do filho. No início, elas precisam ser bem curtinhas e leves. Com o tempo, a própria criança vai começar a pedir mais emoção, o bem e o mal e o monstro.”




  Com o livro é a mesma coisa: escolher um assunto adequado para a idade dele é fundamental para que haja interesse da criança. (Em nosso Livros Pra Uma Cuca Bacana, você consegue selecionar o ideal para o seu filho e também o assunto que deseja)
Levá-lo à livraria para que ele deguste livremente o que quer também faz parte do estímulo à leitura. E lembre-se: quanto mais você se fizer presente nos momentos de histórias, mais prazerosa vai ser a leitura. “Se os pais estão junto,  interagindo com a criança, ela vai associar os livros ou as histórias a um momento de carinho e boas lembranças”, afirma a psicóloga. E, claro, a máxima do “dar o exemplo” continua valendo aqui: de nada adianta tentar criar o hábito de ler no seu filho se ele não vê você fazer o mesmo.
Uma boa história precisa de...... vontade! Isso é tudo que você precisa para uma gostosa leitura junto com seu filho. Alguns gostam de interpretar mais, outros são mais contidos, mas a verdade é que o simples fato de você querer ler para o seu filho já é um grande passo. É claro que um clima de magia e um bom contador de histórias tornam tudo ainda mais especial. Mas você não precisa proporcionar isso a ele só quando vão ao teatro, por exemplo. Com disposição e entrega, dá para ir além e criar essa atmosfera na sua própria casa.







 A especialista Martha Teixeira elaborou 5 passos para aprimorar sua “técnica” e que vão render uma boa aventura com o seu filho. Confira e aproveite muito este momento!

1º passo  Escolha uma história adequada para a idade e para a situação que a criança está vivendo. Quando mais elementos da história ela puder reconhecer, melhor será o interesse;
2º passo Antes de ler o livro ao seu filho, faça-o primeiro para você, para que as partes  impactantes fiquem bem gravadas e você consiga deixá-las ainda mais emocionantes. Se  vai tirar a história da cachola e não de um livro, faça o mesmo, contando para você antes de contá-la ao seu filho; 
3º passo  Uma narrativa leva ao mundo da imaginação e do sonho, então, nada melhor do que criar um clima antes de começar a leitura. Prepare um espaço para a história, vale um cantinho especial no quarto, a luz mais baixa, almofadas no chão...
4º passo  Dar ritmo à narrativa é um dos mais importantes, afinal, história que é boa mesmo precisa ter ritmo. Se o herói está mais pensativo, fale mais pausadamente e com tom de voz mais baixo. Se ele estiver em um momento mais intenso, uma fala firme e apressada combina bem e vai prender a atenção do seu filho;

5º passo:

Dê um bom fechamento à história. Por isso, “amanhã eu continuo” vai deixar a criança pequena ansiosa. Leia até o fim. E lembre-se de que o seu filho precisa sonhar e, por isso, quanto mais mágico for o final, mais realizado ele ficará. E tem jeito melhor de embalar o sono?



FONTE:http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Desenvolvimento/noticia/2013/06/ler-para-criancas-veja-importancia-desse-habito.html



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

TEATRINHO DE FANTOCHES (IDEIAS CRIATIVAS)


Boa tarde, pessoal!


Qual a criança que não gosta de ouvir histórias? Eu não conheço!
Toda criança adora ouvir histórias das mais diversas...conto de fadas, histórias de trancoso, contos folclóricos...
Que tal preparar um cenário bacana para suas contações de histórias ficarem ainda mais interessantes?
Hoje, trouxe algumas ideias de teatrinhos de fantoches bem fáceis de fazer e que vocês poderão reaproveitar materiais como: caixas de sapatos, caixas grandes de papelão, caixote de madeira,, retalhos de tecido, retalhos de EVA, papel contact, papel de presente, tinta PVA...















Gostaram da dica de hoje?
Mãos à obra!!!!


IMAGENS:

GOOGLE IMAGES


Um abração e até mais!
=)



sábado, 18 de abril de 2015

NOSSO AMIGO: O LIVRO





Dia Nacional do Livro Infantil


Dia 18 de Abril é o Dia Nacional do Livro Infantil pois é a data de nascimento de um dos principais escritores de literatura infantil do Brasil, Monteiro Lobato! Ele criou aventuras com figuras bem brasileiras, recuperou os costumes e lendas do folclore nacional. E não parou por aí, misturou todos eles com elementos da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema.


Dia Nacional do Livro


Dia 29 de outubro é comemorado o Dia Nacional do Livro, e realmente é um dia a se comemorar, pois o livro traz informação, conhecimento, divertimento e fantasia, muitas vezes transformando positivamente a vida das pessoas. O dia foi escolhido porque em 29 de outubro de 1810 ocorreu a fundação da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro e com certeza foi um marco para a literatura no Brasil, que passou a contar com obras importantes para consulta. 



Um mundo de sonhos, informação e conhecimento!


Quando abrimos um livro sempre há surpresas e emoções. Você já reparou que quando começamos a ler nossa imaginação vai longe? Entramos em castelos, vivemos grandes aventuras e levamos grandes sustos também!
Na escola, os livros algumas vezes podem não ser tão divertidos, mas trazem muita informação e novos conhecimentos. Além do mais, isso vai depender da forma com lemos esses livros, pois não é difícil criarmos histórias lendo conteúdos escolares. Você já experimentou? Vale a pena, pois fica muito mais fácil para compreender o conteúdo!








O livro no Brasil tem história...



Tudo começa com a chegada a família real ao Brasil, em 1808... D. João VI ordena a instalação da Imprensa Régia e com ela foi publicado o primeiro jornal brasileiro, a Gazeta do Rio de Janeiro e também o primeiro livro, Marília de Dirceu, romance de Tomás Antonio Gonzaga. Nesta época a diferença entre a população pobre e a elite era evidente: 84% da população não sabia ler e a minoria pertencente a elite era culta e com acesso à educação.
A influência francesa era grande e dois irmãos, Laemmert e Garnier, destacaram-se pela ampliação do campo editorial. Fundaram uma livraria, a Livraria Universal e uma tipografia, também chamada de Typografia Universal. Publicaram almanaques, clássicos da literatura, dicionários, coleções, obras técnicas e acadêmicas, tornando-se responsáveis pelas primeiras publicações de qualidade no Brasil.
Aos poucos os autores brasileiros foram ganhado espaço e sendo mais valorizados. Registrando o maior sucesso editorial do início do século XX, Graça Aranha escritor natural do Maranhão, escreveu Canaã. Em seguida vieram Euclides da Cunha, Machado de Assis e tantos outros que fizeram história na literatura brasileira.





Mas e a literatura infantil?


Inicialmente as histórias infantis não eram escritas, mas somente contadas e eram criadas pelas próprias mães que tinham necessidade de se comunicar com seus filhos e contar a respeito das coisas que os rodeavam.
O início da literatura infantil ocorreu entre os anos de 1628 e 1703, com os títulos: , "O Barba Azul" (Perrault)”, "A Gata Borralheira"(Irmãos Grimm), “O Patinho Feio” (Andersen) entre outros.
No Brasil a literatura infantil começou a se desenvolver as obras “Contos seletos das mil e uma noites” (Carlos Jansen) e “Contos da Carochinha” (Figueiredo Pimentel).
Mas foi Monteiro Lobato quem marcou mesmo a literatura infantil brasileira. Quem não conhece o “Sítio do Pica-pau Amarelo”, a boneca de pano Emília e o Visconde de Sabugosa, nobre personagem das histórias de Lobato que saiu de um sabugo de milho. Esses com certeza já entraram para a história!
Outros escritores que marcam presença em nosso país é Ziraldo e Ana Maria Machado. Veja suas obras:
Ziraldo: “O Menino Maluquinho”, “A bonequinha de pano”, “Este mundo é uma bola”, “Uma professora muito maluquinha”.
Ana Maria Machado: “A Grande Aventura de Maria Fumaça”, “A Velhinha Maluquete”, “O Natal de Manuel”.

 E agora os livros eletrônicos!
 Os livros eletrônicos, ou e-books, representam uma tecnologia que tende a crescer cada vez mais. Disponíveis para download, geralmente são gratuitos ou muito baratos. Há portais independentes ou subsidiados, como o Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp ) do Ministério da Educação, que já nos primeiros três meses de lançamento contava com 6,2 milhões de acessos.


Cuide bem de seus livros!

Algumas dicas para você cuidar de seus livros:
·         Não manuseie com as mãos sujas;
·         Não rabisque a capa ou as folhas;
·         Não rasque, nem arranque folhas;
·         Não apóie o cotovelo no livro;
·         Não coloque entre as páginas objetos mais espessos que o papel;
·         Não dobre o canto das folhas;
·         Não use saliva para virar as folhas;
·         Não coma, nem beba próximo aos livros.

Curiosidade: Dedicação as livros
Monteiro Lobato começou a escrever aos 14 anos, quando publicou sua primeira crônica para o jornal "O Guarani". Em 1919 criou sua primeira editora, a Monteiro Lobato & Cia. Sabendo da importância dos livros e da leitura, distribuiu lotes de livros, junto com uma carta, para as poucas livrarias que existiam no país, oferecendo o produto consignado e uma porcentagem nas vendas. Foi então que nasceu sua célebre frase "Um país se faz com homens e livros".

(Fonte: Guia dos Curiosos)